O número de mortes relacionadas com o consumo de drogas aumentou 40% em 2005, relativamente ao ano anterior, interrompendo a tendência decrescente que se verificava desde 2000. Ao todo foram registradas 219 mortes, segundo o relatório anual sobre a situação do País em matéria de drogas e toxicodependências, ontem divulgado pelo Instituto de Droga e de Toxicodependências (IDT).
De acordo com o IDT, na maioria das mortes (147) com exames toxicológicos positivos predominou o consumo de opiláceos, como a heroína. Cento e seis mortes estiveram associadas ao consumo de cocaína e 27 ao consumo de haxixe e marijuana.
No entanto, apenas 58% dos casos com exames toxicológicos positivos, efetuadas pelo Instituto Nacional de Medicina Legal, foram considerados "suspeitas de overdose". No caso das overdoses, o número de mortes aumenta pelo segundo ano consecutivo, mas convém analisar estes números com alguma prudência.
Segundo explicou Rui Rangel, direto do Serviço de Toxicologia do Instituto de Medicina Legal do Porto, "o ideal é que a análise seja feita caso a caso", já que no consumo de drogas ejetáveis a própria forma de administração pode causar a morte por embolia. Assim sendo, o que poderá dar origem a uma morte por overdose deriva do consumo e não do abuso de drogas.
"O dado que apresentamos é um aumento de mortes relacionadas com o consumo de droga, nomeadamente heroína, o que não quer dizer que esta tenha sido a causa das mortes", especificou à Lusa Maria Moreira, membro do IDT.

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